Globalização

A globalização já chegou no mercado de seguros

11 de outubro de 2016

Mostrar um pouco do que acontece no mercado de seguros em outros países e debater o que pode vir a ser tendência nos próximos anos no Brasil e no mundo foi a tarefa dos palestrantes durante o painel “Globalização: quais os ensinamentos?”.

Mediado pelo ouvidor do Sincor-SP, Octávio Milliet, o painel contou com a presença de importantes lideranças do setor de seguros, como o presidente da HDI Seguros Brasil, João Francisco Silveira Borges da Costa, que agradeceu e mostrou aos congressistas um pouco do mercado internacional de seguros. Um dos destaques ressaltados em sua apresentação foi mostrar que a venda direta, em todo mundo, é uma realidade.

“Temos, hoje, mais de 30% das vendas nos principais países sendo preenchidas pelas vendas diretas. Vemos que essa evolução tem aumentando de maneira significativa desde 2007 e, alguns lugares, ela aumentou às custas de uma menor participação dos corretores e agentes e, em outros lugares, aumentou à custa de outros canais de venda”, disse.

Outra questão ressaltada pelo líder da HDI foi o seguro no ambiente online. “Cada vez mais a ligação online é importante, seja para quem vende direto ou não. Mas, geralmente, os clientes ficam insatisfeitos com essa experiência. Temos que melhorar nossas operações e nossos processos digitais para levar isso a uma população que, cada vez mais, quer se relacionar por esse meio. É mais um método de se comunicar com nossos consumidores e não podemos menosprezar isso”, advertiu.

Quem também percebeu a necessidade de se reinventar no ambiente online foi Luís Maurette, Head da América Latina da Willis Towers Watson. Segundo ele, o setor está sendo afetado pela era digital e, para continuar nesse negócio, tanto seguradores como corretores terão que se readaptar para entender essas novas realidades, porque os clientes esperam por isso.

“O mundo digital é coisa nova para nós. São os grandes desafios dessa nova geração Y. Eles focam no online, fazem suas próprias pesquisas, confiam nos dados da mídia e meio social, buscam apelo autosserviço e valorizam a conexão com a empresa antes da decisão de compra e ao longo do prazo de contato. Estes são nossos clientes”, afirmou.

Além disso, outro grande desafio, na visão de Luís, é atrair esses novos talentos da Geração Y. “Eles são inquietos, gostam de estruturas flexíveis. O mundo mudou. São eles que irão comprar seguros no futuro. Eles estão esperando que o comportamento da indústria de seguros também mude”, aponta Luís.

Se adaptar aos desafios da globalização, assegura Mauro César Batista, presidente do SindsegSP, é a grande caminhada do setor de seguros. “O objetivo de todos nós é aumentar nossos negócios, de maneira sadia, com produtos eficazes, que venham a atender o consumidor. Comercializamos um produto que, em tese, essencialmente é proteção. A globalização já chegou e precisamos estamos unidos e convergentes no debate, analisando e produzindo conceitos novos”, garante.

Em relação ao setor de seguros no Brasil, Mauro acredita que ainda há demandas do setor que não foram preenchidas. Para ilustrar, ele citou dados como o fato de que 58 milhões de casas não têm seguro e 152 milhões de pessoas ainda não têm plano de saúde. “A globalização vai ajudar na mudança do comportamento. Ela vai ser decisiva para que o setor de seguros ande”, afirmou.

Sobre seguros na era digital, o presidente do SindsegSP pontua que, o corretor de seguros, quer queira ou não, está envolvido nessa era. “Muitas operações digitais não são concluídas pelo simples de fato de que o fator humano é decisivo para concluir a venda. A prova disso é que vivemos um mundo absolutamente conectado. E muitas pessoas tiram proveito disso. Arrisco a dizer que o corretor de seguros, muitas vezes, inicia ou conclui o negócio pelo WhatsApp, por ser rápido e interativo”, disse.

Já Renato Cunha Bueno, coordenador da Comissão de Grandes Riscos, Engenharia e Resseguros do Sincor-SP, ressaltou o quanto é importante ter uma profissão regulamentada, técnica e que lida com produtos importantes para a sociedade. “Isso, por si só, já é uma grande oportunidade”, declarou. Para ele, não há um único modelo de atuação. “Eu desdenho um pouco desse monstro que nos assombra, que são esses modelos de distribuição. O que o profissional deve fazer é encontrar seu talento”, frisou.

 

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