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“Você é o sócio majoritário da sua vida”, garante Karnal

8 de outubro de 2016

A palestra “A essência do ser” ficou a cargo do professor e historiador Leandro Karnal. Como encarar as mudanças e transformações pelas quais o Brasil passa? Esforço pessoal, pessimismo e zona de conforto foram alguns dos tópicos abordados pelo historiador, que é escritor e professor da Unicamp.

Como 2016 foi um ano de profundas e pessimistas transformações, Karnal se apoiou nisso para dizer que toda empresa deve ter um pessimista na equipe, porque ele é o único que, às vezes, tem um sentido mais realista para apontar o que pode dar errado mais à frente. “É importante ter um deles na equipe, mas apenas um”, brincou.

A grande questão do pessimista é que ele até pode acertar em antever o problema, mas ele nunca aponta a solução. Segundo Karnal, esse é o defeito essencial do pessimista: ele não age. “Ele não rema, mas reclama do sol e que está distante para alcançar o objetivo. O pessimista é um perdedor. Para uma pessoa ser como Alexandre, o Grande, há um custo. Para ser grande como um vendedor de seguros é preciso ter uma meta elevada e um método como esforço de vida”, garante Karnal.

E esse esforço e método dependem dos valores e da ética envolvidas no comportamento de qualquer profissional. “Quando você diz a você mesmo o que realmente gosta, quando consegue saber qual o seu valor, sua prioridade, sua vida dá um salto impactante. Uma das coisas mais essenciais para isso é seguir o conselho de Sócrates: conhece-te a ti mesmo”, sugere o professor.

“O futuro demanda esforço”

Outro ponto abordado é aproveitar as oportunidades diante da crise que, em algum momento, vai diminuir, para pensar nas transformações que irão acontecer. Por isso, o futuro promissor para qualquer área é o resultado da experiência transformada em ação e plano estratégico. “O futuro demanda esforço. Essa é a fórmula. Se você não quer nenhum esforço não queira o resultado dele”, assegura.

Por isso, os profissionais que têm um plano estratégico sempre estão mais preparados do que aqueles que não planejam nada e ficam a deriva. “É imprevisível o futuro, claro, mas tenho uma chave na minha mão que é a preparação, que vai me distinguir das outras pessoas. O futuro não está no meu campo de controle, mas minha preparação está”, reforça.

Nessa preparação, é fundamental aceitar que as coisas mudam: o mercado muda, a sociedade muda, o País muda, a economia muda e a oportunidade para aproveitar isso, garante Karnal, é entender que a boa estratégia é se antecipar ao que pode vir a acontecer na frente.

“Devemos entender a estratégia como a capacidade do líder de antever mudanças, mas isso é algo difícil para os brasileiros. Não somos educados para a estratégia. Antes do problema, tenho que me antecipar. Ela direciona a mudança a meu favor. Estratégia é lidar com a incerteza que está diante de todos nós”, analisa Karnal.

Saindo da zona de conforto

O que pode atrapalhar o progresso profissional é estacionar na gostosa zona de conforto e sair dela nos obriga a olhar para outros aspectos da nossa vida pessoal. “A zona de desconforto é uma das que mais nos incomoda, mas é a única coisa que faz um ser humano crescer. A grande força que quebra nossa inércia é a crise”, conta.

E essa zona de conforto, explicou aos congressistas que lotaram o auditório, nos faz esquecer de um dos papéis mais fundamentais para nós: o erro. “Estou falando disso, porque eu errei bastante. Há erro de carreira, de aprendizado, de estratégia. Mas cheguei onde cheguei pela capacidade de avaliar meus fracassos. Erro é oportunidade de refazer. Toda vez que erramos, avaliamos e redirecionamos nossa carreira e tudo que somos, conseguimos tornar o erro pedagógico”, afirma. “É óbvio que mudar é difícil, mas não é fatal. Não mudar é que é fatal para qualquer carreira e empresa”, pontua.

O líder precisa servir e não ser servido

De acordo com o palestrante, todas as pessoas, de alguma forma e em graus variados, ocupa postos de liderança, seja no mercado de seguros, entre amigos ou na vida familiar. Por isso, líder é aquela pessoa que tem consciência de que sabe para onde ir. Além disso, Karnal ressalta que é preciso remover a concepção antiga de que o líder precisa ser servido. “Ele é quem serve. É preciso restaurar a liderança como noção de serviço, que vê além do imediato, o depois. Temos que acreditar de novo em trabalho desse tipo”, diz.

Dessa forma, um líder que não entende esse conceito e que, além disso, é orgulhoso, encontra a fórmula certa ao fracasso em qualquer setor. Sobre isso, o palestrante explica que o orgulho ainda é a marca registrada da nossa sociedade. “E estamos, cada vez mais, cientes desse orgulho. Pessoas orgulhosas são frágeis e podem ser controladas”, observa. Uma alternativa para domar esse orgulho é cultivar o aprendizado da escuta, de ouvir a outra pessoa. Ele impacta diretamente na vida do corretor de seguros, uma vez que um dos seus papéis é o de, muitas vezes, ouvir as necessidades dos seus clientes.

 

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